sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Nicles em Ação*

A formação atual da Nicles: um pedaço do mundo para eles.

A catraieira Nicles, formada por Kilrio Farias, André Bandeira, Glauber Jansen e Johnny Ratts, está tramando dominar, se não o mundo inteiro, um pedaço dele. Além do primeiro álbum, que será prensado e distribuído nacionalmente pelo selo Catraia Rec/Fora do Eixo Discos, a banda tem uma mini turnê Centro-Oeste/Sudeste sendo articulada para o começo de 2009.

E para quem acha que janeiro de 2009 está muito longe, uma série de outros acontecimentos envolvendo a banda acontece até o final do ano. Começando pelo Acústico Som Maior Nicles, que acontece entre os dias 21 e 28 de outubro e 04 de novembro, no Teatro de Arena do Sesc, uma ótima oportunidade de ver a banda de guitarras distorcidas e versos gritados em outro formato musical - mas, garante Kilrio, sem perder o conceito principal. “Nós queremos transformar as músicas, fazendo novas versões” afirma o vocalista.


Inútil Discurso Transcendental

Conversamos com Kilrio Farias, o homem da linha de frente da Nicles, por telefone, enquanto ele fazia outras duas coisas ao mesmo tempo. A idéia era uma conversa longa, mas a pressa de todo mundo sempre atrapalha. Falando no primeiro disco da banda, Kilrio afirma: já esta quase tudo pronto. “Só estamos terminando de resolver umas questões burocráticas, mas o disco está todo pronto”. Das dez faixas do álbum, oito são novinhas em folha. Mas antes de lançar o CD a banda pretende fazer uma prévia do álbum com um EP, que está com as capinhas prontas, esperando a prensagem dos disquinhos. “Nós estamos correndo para ver se conseguimos fazer os EPs para serem distribuídos no Acústico Som Maior”, comenta Kilrio.

Com o sugestível nome de “Inútil Discurso Transcendental”, o primeiro álbum da Nicles tem previsão de ser lançado em dezembro, e segundo o vocalista, a proposta é fazer uma grande festa de lançamento. “Gostaríamos que duas bandas com um estilo semelhante ao nosso tocassem no evento de lançamento, vamos começar a ver isso depois do acústico, mas quem vai produzir junto com a gente é o Catraia”.

Vestindo a Camisa

É impossível conversar com a banda e não falar do Catraia, afinal de contas, todos os integrantes da Nicles vivenciam o coletivo de cultura quase em tempo integral, trabalhando no Núcleo de Sonorização ou no Financeiro e sempre ajudando na produção dos eventos. “Muitas coisas boas aconteceram com a gente graças a parceria com o Catraia” comenta Kilrio. “Nós trabalhamos ativamente acreditando na nossa música. E vestimos a camisa porque acreditamos nessa coletividade” completou.

Para Kilrio esse é um momento crucial para a cena independente em Rio Branco e as bandas devem se posicionar. Segundo ele, isso depende do perfil de cada banda. “As bandas devem se perguntar o que elas querem fazer, se querem apenas se divertir com os amigos, ou pretendem fazer uma obra com seriedade.

Varadouro

Sobre a apresentação no Varadouro 2008, a banda por inteiro acha que a maturidade aumentou. “Nós desejamos estar sempre lá [no Varadouro]. Além de tocando, queremos trabalhar, porque é assim que recebemos muito conhecimento”, se adianta Kilrio, quando perguntado sobre a participação no festival. Para ele, a parte mais importante aconteceu nos bastidores: "a participação no Varadouro foi interessante em vários aspectos. Conhecemos várias pessoas, tanto músicos quanto produtores. O Glauber [Jansen, guiatarrista] e o André [Bandeira, baixista], por exemplo, aprenderam muitas coisas novas trabalhando no palco”.

E quanto ao show, foi melhor que do ano passado? Kilrio responde: “Nós tentamos sempre eternizar as nossas apresentações, não importa se estamos em um palco grande como o Varadouro ou numa roda de amigos. Dessa vez não foi diferente. Nós costumamos sempre deixar tudo de lado quando subimos no palco. E mesmo com alguns erros, para mim o Varadouro foi um sucesso”.

EP, álbum, vídeoclipe, acústico, mini-turnê, os niclenianos estão com todo o gás, e não querem parar para descansar. “O convite para o Acustico foi feito na semana do Varadouro, antes era normal depois do festival as bandas ficarem até meses sem fazer nada. Ficamos muito felizes em termos tanta coisa para fazer” , disse Kilrio, enquanto se arrumava para ir ao estúdio Catraia, onde marca presença agendando os horários de bandas. “A Nicles está em uma fase ótima. Achamos as pessoas certas para fazemos o som que queremos” finalizou Kilrio. Que venha não somente um pedaço de mundo, mas vários dele.

* por Veriana Ribeiro, Coordenadora do Núcleo
de Comunicação e colaboradora do Catraia

O Nada que Caminha para o Tudo
por Janu Schwab

Para os dicionários da língua portuguesa, Nicles é um termo datado. Mas para a história da cultura acreana, Nicles é quase o significa do que há de mais atual em música e manifestação cultural. O significado do termo linguistico pouco importa. Já o significado como banda impele o esforço de se fazer não só a música autoral, mas mesclar sabiamente o que vem de fora, sem esquecer o que se tem aqui dentro.

Assim, Kilrio Farias e seus comparsas brincam de ser Radiohead, Sigur Rós, Joy Division e outras referências das terras geladas da Casa de Windsor no meio do calor amazônico, resultando numa mistura apoteótica. É como se misturássemos tacacá com gim - o goró favorito da finada Rainha Mãe e de muitos ingleses. Com essa mistura, tem gente que embrulha o estômago, tem gente que prefere o jambu do tacacá, mas tem gente que fica só com o gim. E se esbalda.

O ar britânico da Nicles serve pra lembrar que nem tudo por esses cantos é lindamente bucólico, pitoresco e "viva a floresta!", como querem muitos de cá e outros tantos de lá. Nem só de cipós, flores e frutos vive um acreano. Há sofrimento, perturbações, questionamentos em ser, não ser, irritação com os pés no asfalto, na piçarra, na lama que se forma com as chuvas torrenciais e com a raiva contida de ver o Brasil fingindo que por aqui não se existe.

Das duas, uma. Ou se expressa essa raiva de forma pueril, ameaçando pedras paus ao léu. Ou se produz algo realmente consistente que expresse que por aqui se existe sim, apesar dos pesares e da distância e que existe um orgulho típico da fronteira em ser o que somos: brasileiros do Acre. E isso é o que a Nicles vem fazendo, cada vez com mais frequência e competência: pondo fogo no circo de forma centrada e muito producente, fruto de talento, mas também de trabalho. Muito trabalho.

A Nicles não é promessa. É a síntese de quase tudo o que se faz por essas plagas. Quase, para que não soem messiânicos. São simples e podem continuar assim. A Nicles é urbana e bucólica ao mesmo tempo. Foge da urbe e a encara com firme leveza. Faz poesia com palavrão, xinga versos românticos como se fossem nada e por nada ser o significado do seu nome, essa banda tem tudo para dar certo e, por sequência, fazer dar certo para as próximas bandas que virão.


Serviço
Acústico Som Maior com Nicles
Teatro de Arena do SESC
21, 28/10 e 04/11, 19h
R$ 5,00 inteira/R$ 2,00 meia entrada
http://www.myspace.com/bandanicless

fotos: montagem sobre cliques de Renato Reis

6 comentários:

Thalyta França disse...

Essa postagem tá destruidora.A Nicles em fase ótima graças ao talento dos meninos e pelo esforço,eles trabalham pra caramba!... são os artistas pedreiros do lado de cá,e é mais uma banda que prova que essa idéia é o canal pro reconhecimento e sucesso.Estão de parabéns! Me sinto orgulhosa.

Thays França disse...

Esse texto traduz o que a Nicles realmente é!

Esforço e trabalho causa o reconhecimento, estão de parabéns, também me sinto orgulhosa! eu sou meio suspeita pra falar né? uhauaha

Kaline Rossi disse...

Excelente!a nicles é tudo isso aí mesmo e também me sinto orgulhosa,como a thalyta disse.
Exemplo de banda e de esforço coletivo sem o ego gritante.
É isso aí,Vida longa ao nada
o/

Handreh disse...

Texto muito bem escrito!
Também acho que a Nicles é tudo isso, também me sinto suspeito pra comentar, porque eu tenho o Kilrio no meu coração, pela simpatia e poesia que ele é.
Se eu pudesse verias os três dias de acústico que eu sei que vai ficar pra história da banda. O Kilrio é o vocalista acreano de melhor performance no palco e isso emociona muito. Avante com essas canções que dizem dizer nada, mas que expõe tudo o que nós sentimos.
o/

Victor Manfredine disse...

Apesar do 'nada pra dizer..
é super importante continuar
apoiando a Nicles nessa caminhada deles por aki. ^^
é muito bom ver que eles estão
alcançando o que merecem.
ficamos felizes todos!

survive_band disse...

São excelentes pessoas. Fico feliz por ver cada banda crescendo e cada membro contribuindo para isso.
É notável o crescimento dos caras, tanto na sonoridade quanto no profissionalismo e seridade no trabalho. Além de estar na cara que é feito por gente que gosta e que sabe fazê-lo.

Também estou orgulhosÔ, assim como Thalyta, Thays e Kaline disseram.
=]
Parabéns para eles e para todos que contribuem para o sucesso e o reconhecimento dos mesmos.

Avaante!!!!


Renato Piauhy/Survive/Drummer.