sábado, 2 de fevereiro de 2008

E assim o grito ecoou pelo Rio Acre...

por Verianna Ribeiro
foto: Agência de Notícias do Acre

Se a intenção do Festival Grito Rock era fazer o povo gritar, ele já cumpriu com louvor sua função no dia de estréia e foi além, tendo desde marchinhas de carnaval ao bom e velho rock’n’roll. Em meio a confetes, serpentinas, quadros e vinis, o público vibrou ao som das sete bandas acreanas e da rondoniense Hey Hey Hey!

A Parafal foi a escolhida para abrir o festival, que acontece simultaneamente em mais de 15 estados brasileiros, sem contar com a Argentina, Uruguai e Bolívia. A banda, apesar de tímida, apresentou musicas boas com letras expressivas e mostrou que tem potencial. As forças dos instrumentos caíam bem com a voz dos dois vocalistas que se revezavam nas musicas. Eles esquentaram o palco e o público para a noite que se seguiria.

E se a Parafal mostrou os problemas dos adolescentes em suas musicas, os meninos do Alienados S.A foram além e mostraram os sentimentos dos adolescentes acreanos. Com músicas bem regionais, mostrando o dia-a-dia na capital do estado, tudo embalado com muita poesia e brincando com as notas musicais. O vocalista apresentou a nova musica, “Máscaras”, como “uma viagem muito doida” e ele não podia ter falado melhor.

Dona Chica faz som também”, gritou o vocalista Lucas Maná. E que som! A banda que brinca com o reggae e com o rock, mas que no final, segundo os próprios integrantes, “não é porra nenhuma”, fez o povo pular para nenhum carnavalesco botar defeito. Emanando muita energia e cantando musicas já conhecidas e conceituadas, como “Morena Clara” ou “Cauã”, que participou do 5º Festival Universitário da Canção. Foi necessário que Lucas jogasse água no público, porque a banda estava fazendo o flutuante pegar fogo.

Enquanto Doca Chica fez o povo pular, foi Capuccino Jack que fez pensar e sentir. Com musicas intimistas, a banda estava em ótima sintonia, oscilando brincadeiras com o público e entre os próprios integrantes, às emoções da musica. O baixista Hugo, mais parecia uma criança, brincando no palco. Muitas vezes parecia que o vocalista, André Lima ia chorar com a musica, e nós iríamos acompanhá-lo. Cantando “Aquela do Mar” a banda fez o tipo de musica que faz você ter vontade de fechar os olhos e deixar a melodia e a letra lhe levar. “Utopia” é uma delícia para a alma e para os ouvidos. Você simplesmente não quer parar de escutar.

Mas quando pára e se depara com Calango Smith, percebe que a noite ainda é uma criança. Sempre com seu microfone vermelho - desta vez também enfeitado com fitas de carnaval - contagiou o público com suas músicas animadas, numa mistura de rock, reggae e samba, num estilo único que conquista cada vez mais fãs. Com uma banda altamente preparada o vocalista teve total liberdade para brincar com o público, como fez em “Mona Lisa”. Sempre misturando momentos melancólicos com batidas animadas, Calango animou ainda mais a noite, fechando com “Colarinho Branco”, música vencedora do FUC 2007, e mostrando que fez jus ao prêmio.

Mais madura do que nunca, a Marlton fez o público chegar mais perto para ouvir suas batidas fortes e guitarras gritantes. Forte e expressiva, os meninos fizeram o povo pular e a catraia balançar. Cantaram de tudo, desde músicas conhecidas como “Disfarce”, que não era cantada desde o Varadouro; músicas novas – a deliciosa “Antes de um Ser” –; e o cover “Best of You” do Foo Fighters que não deixa nenhum Dave Grohl na mão. Em meio a confetes, a banda brincava com o público e vice-e-versa. Marlton conseguiu arrancar tudo da platéia, principalmente gritos, mostrando o motivo do nome do festival. Sem esforço nenhum a banda fez um ótimo som, um hardcore potente e de qualidade.

As outras bandas que me desculpem, mas a noite certamente foi das meninas (e do menino) da Blush Azul. A banda que se despedia antes de tocar Brasil a fora, deu um dos seus melhores shows. Começando com “Amargo Perfume”, fez o público pular e cantar e o flutuante literalmente balançar, e mostraram que tem competência para representar o Acre nas outras edições do Grito Rock. Com suas batidas que lembram muito Strokes e Franz Ferdinand, a banda animou tanto que o povo literalmente se jogou no show, ou melhor, no palco. Com uma versão carnavalesca de “Vai” mostrou que uma brincadeira pode dar muito certo. O poema musical, “Abraços de Monstros Caídos” mostrou toda sua força e beleza, fazendo o público cantar junto. Um show perfeito com gosto de quero mais.

E para finalizar a noite com chave de ouro, os meninos (e a menina) do Hey Hey Hey! vieram ao Acre para mostrar o potencial de Rondônia. A parceria entre esses dois estados sempre deu certo, e desta vez não foi diferente. Escondido em meio a óculos de mentira e blusas pólo, mostrou o quão alto se pode gritar. A bateria estava tão forte que ate chegou a desmontar, não que isso prejudicasse de alguma forma o som da banda. Com duas guitarras, a banda animou até quem não conhecia seu som e deu aquele gosto bom de final de festa. A animação foi tanta que nem o baterista conseguiu ficar sentado. Forte, barulhenta e alucinante, eles podem te deixar surdo por uma semana, mas acredite, vale a pena. Foi uma escolha perfeita para acabar o primeiro dia do festival.

Um comentário:

aaaaa disse...

Marlton "hardcore"? "potente"?
eu hein...